Games incomodam e viram arte
Manter os jogos eletrônicos na periferia das artes "sérias" acaba gerando um tratamento irracional, que resvala em decisões judiciais equivocadas.
RONALDO LEMOS
COLUNISTA DA FOLHA
PEDRO MIZUKAMI
ESPECIAL PARA A FOLHA
Raramente os cadernos de cultura falam sobre games. Em geral, as críticas são técnicas e não observam o valor narrativo dos jogos como uma mídia privilegiada para contar histórias e levantar questões. E, sobretudo, como um referencial cultural cada vez mais compartilhado. Dados sobre hábitos culturais em algumas capitais, divulgados recentemente pelo Ministério da Cultura, mostram que, em todas, a prática de "jogar games" é mais comum do que "ir ao cinema" (em São Paulo, por exemplo, os números são 13% e 8,7%, respectivamente). É um bom momento para pensar sobre esse fenômeno. A narrativa dos jogos vem atingindo momentos notáveis. Um exemplo é o recente "Call of Duty: Modern Warfare 2 (MW 2)". As análises mais corriqueiras vão dizer que é um excelente jogo de tiro. Dificilmente vão notar que ele trata da questão da moralidade da guerra, o mesmo tema de Barack Obama em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz. Em um trecho do game -que pode ser evitado-, o personagem controlado pelo jogador é um agente da CIA infiltrado em uma célula terrorista ultranacionalista na Rússia. Forçado a participar do massacre de centenas de civis em um aeroporto, ele protagoniza a atrocidade. O que fazer, disparar? E em que outras missões disparar também se justifica? Estão presentes, aqui, os embates morais clássicos, encarados a partir da lógica do terrorismo e da guerra contemporânea. "Modern Warfare 2" coloca o jogador em situações que lembram a ele sua condição de ser moral.[leia mais]
Coordenador Adjunto do CTS eleito para Comitê Executivo de iniciativa sobre direitos na Internet
O coordenador adjunto do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS), professor Carlos Affonso Pereira de Souza, foi eleito para o Comitê Executivo da iniciativa “Internet Rights and Principles”. A iniciativa foi formada 2006 como uma entidade do Internet Governance Forum - evento anual das Nações Unidas que busca discutir o futuro da governança da Internet. Nos últimos anos a iniciativa tem buscado elaborar uma declaração de direitos fundamentais aplicáveis à Internet, além de se consolidar como centro agregador de informações sobre infrações a direitos fundamentais na rede mundial de computadores. O grupo reúne representantes internacionais da academia, da iniciativa privada, do governo e do terceiro setor.
Seminário Direitos Humanos e Novas Tecnologias
Nos dias 23 e 24 de novembro, a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV DIREITO RIO) e o European University Institute (EUI) promoveram o Seminário "Direitos Humanos e Novas Tecnologias", reunindo especialistas nacionais e internacionais sobre o tema. O Seminário teve como principal objetivo debater em que medida o desenvolvimento tecnológico pode afetar a forma pela qual são protegidos os direitos humanos, oferecendo uma comparação entre as experiências européia e brasileira.
Um dos temas de destaque do evento foi o desafio de se regulamentar as relações travadas pela internet. Esse debate, em voga no País com a iniciativa do Ministério da Justiça e da FGV DIREITO RIO em propor a construção de um marco civil regulatório da internet brasileira, ensejou amplas discussões acerca da regulação em si, ventilando-se diversas questões envolvendo direitos humanos e as consequentes transformações geradas a partir do desenvolvimento da rede.
O debate ainda abordou os efeitos decorrentes dos avanços da chamada "biotecnociência", que vem criando novas situações sociais carecedoras de regulamentação, além de provocar intensos debates éticos e jurídicos. Nesse sentido, o Seminário procurou contribuir para a discussão sobre a proteção dos direitos humanos em face das novas tecnologias, à luz de princípios da Bioética e do Biodireito, de modo a se garantir o respeito à dignidade humana e às liberdades fundamentais dos seres humanos envolvidos.
Confira as apresentações, em formato PowerPoint, das palestras proferidas no evento:
Games, Mídia e Aprendizado Tangencial: entendendo o papel dos jogos na cultura e na educação
O Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV Direito Rio realiza o debate internacional Games, Mídia e Aprendizado Tangencial: entendendo o papel dos jogos na cultura e na educação, no próximo dia 07 de dezembro, 19h, na sede da FGV (Praia de Botafogo, 190 – 8º andar).[leia mais]
FGV DIREITO RIO e o European University Institute realizam seminário "Direitos Humanos e Novas Tecnologias"
Nos dias 23 e 24 de novembro, a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV DIREITO RIO) e o European University Institute (EUI) promoveram o seminário "Direitos Humanos e Novas Tecnologias", reunindo especialistas nacionais e internacionais sobre o tema. O seminário visa debater como o desenvolvimento tecnológico, da internet aos avanços da ciência, pode afetar a forma pela qual são protegidos os direitos humanos, oferecendo uma comparação entre as experiências européia e brasileira.[leia mais]

















