Anna Cecília Moraes

Competição de Júri Simulado da American University (EUA)

NUNCA desista dos seus sonhos... por mais impossíveis que eles pareçam!!!

Toda experiência nos deixa sempre um ensinamento. Espero que a minha faça você acreditar que não importa quantas batalhas você precise enfrentar por dia, no final das contas a vitória sempre chega para os que perseveram.

Sair do interior da Bahia e vir morar no Rio de Janeiro foi um desafio enorme. O sonho de estudar na FGV e a realização deste me fez aprender a lidar com situações que eu nem imaginava passar. Primeiro, eu não conhecia ninguém aqui no Rio. Nenhum familiar, nenhum amigo; absolutamente ninguém que pudesse me ajudar a lidar com a saudade, com o medo de dar tudo errado, com a rotina e o costume totalmente diferentes, próprios de cidade grande. Lembro-me de como era difícil morar numa casa com várias pessoas estranhas que brigavam muito o tempo todo. Costumava ficar na faculdade até às 22h durante a semana (vinha nos finais de semana também). Até hoje essa questão da moradia é um problema (tive que me mudar 05 vezes num período de pouco mais de 02 anos), mas com certeza melhor do que um dia já foi.

Outra questão bastante complexa que precisei lidar foi o fato de todos os meus colegas terem um arcabouço infindável de conhecimentos gerais, enquanto eu, apesar de ter sido uma boa aluna no ensino médio, tive que me esforçar muito (e ainda tenho) para conseguir acompanhar a turma. A forma de estudar, de lidar com as informações, a facilidade com que interligam assuntos de matérias distintas... Tudo isso sempre foi muito diferente, muito mais difícil. Com o tempo, fui conseguindo interagir e fazer amigos. Ótimos amigos! Passou a ser menos difícil. Já conseguia ter companhia para estudar e tirar dúvidas. Pessoas que passaram a me ajudar a superar todas as dificuldades próprias de alguém que não tem acesso a excelentes escolas como as que existem aqui no Rio. Sem contar com o fato de que os textos em inglês eram, literalmente, um “bicho de mil cabeças”, outro ponto que me diferenciava dos meus colegas. A maioria da minha turma não tinha dificuldade alguma em trabalhar com textos em inglês.

 E no final de uma longa semana de estudos, meus colegas marcavam para sair. Nem sempre pude acompanhá-los. Muitas vezes, precisava economizar para conseguir pagar o aluguel, comprar as coisas que eram necessárias no mercado e pagar a xerox dos textos da faculdade. Aprendi o valor que o dinheiro tem. Foi nesse período que a vista do 8º andar do Botafogo Praia Shopping passou a ser um dos meus passeios favoritos.

Já tive momentos de solidão. Morri de saudade da minha família. Chorei muito com isso. Já tirei notas baixas, pensei que não conseguiria acompanhar a turma, achei que não seria capaz de superar todas as dificuldades que não paravam de aparecer. Já pensei que chegaria um momento que não teria onde morar aqui no Rio, que eu seria obrigada a voltar para casa por conta disso. E já tive milhões de outras pedras no meu caminho que insistiam em me fazer desistir. E sabe qual é a melhor parte de tudo isso? Eu aprendi que sou mais forte do que eu imaginava. E não! Eu não vou desistir.

O primeiro sonho que realizei foi o de ser aprovada no processo seletivo de transferência da FGV Direito Rio. Poder estudar nessa instituição foi a melhor coisa que me aconteceu. Não importa se tive que sair de casa, se precisei abrir mão de me reunir com a família aos domingos ou se o dinheiro está sempre contado. Eu estou aqui e isso é sem dúvida a maior oportunidade que poderia existir na minha vida profissional. O segundo sonho foi poder representar a minha faculdade (a qual tenho um infinito orgulho) em Washington DC.

Participar do Moot Court da American University foi sem dúvida uma das melhores experiências que já vivi. Poder estar com pessoas de diversos países, ser desafiada não apenas pela capacidade dos outros times, mas também pelas inúmeras perguntas feitas pelos juízes durante a defesa oral, fazer minha primeira viagem internacional, chegar às semifinais e ganhar o prêmio de melhor memorial das vítimas em português foram coisas que me provaram que nessa vida sempre teremos um retorno positivo se fizermos sacrifícios (madrugadas acordada, domingos estudando, horas de treinamento compensados com a possibilidade de representar a FGV em Washington DC).

A participação em competições como a da American University traz benefícios que vão além de certificados. É poder estar em contato com pessoas de todo o mundo, é aprender a trabalhar em equipe (no meu caso, não apenas com a Adriana e com o Pedro, mas também com outras equipes participantes do Moot) e entender que o limite que, às vezes, colocamos em nós mesmos pode ser superado. Estou indescritivelmente feliz com a oportunidade que me foi dada pela FGV não apenas de estudar aqui, mas de poder representar da melhor maneira essa instituição no exterior.

Espero que ao ler esse depoimento seja possível compreender a relevância que essas competições têm para a vida (tanto em âmbito pessoal quanto profissional) e o quanto é importante se permitir ser mais do que acredita ser capaz. Minha mãe me lembra sempre que só carregamos a cruz que somos capazes que aguentar. Às vezes, é difícil mesmo. Parece que tudo conspira para que a gente desista. Mas isso só acontece, porque a vida gosta muito de nos testar e ver se somos capazes de sermos grandes e se poderemos ter grandes responsabilidades. Siga em frente. Supere-se!