Luisa Whitaker

Luisa Whitaker
Paris Dauphine

Localizada no coração da Europa, a França é um destino cheio de oportunidades, envolvendo não apenas o estudo do direito e das ciências sociais, políticas e econômicas, bem como história, cultura, belezas naturais e muito charme. Além de instituições de ensino que são referência no mundo todo, é famosa pela música, pela arte e os museus, pela gastronomia, pelos seus cafés e restaurantes, conquistando até os brasileiros mais exigentes e apegados ao Brasil. Pessoas de todas as idades e perfis encontram o que procuram na França. Existem programas específicos para estudantes, jovens, adultos e profissionais em formação, para aqueles que preferem aprender francês e praticá-lo no cotidiano e nos estudos, e até para aqueles que buscam apenas diversificar sua formação e experiência cultural.

O intercâmbio pode ser de curta duração ou longa duração. Atualmente, a Fundação Getulio Vargas oferece um curso de curta duração com a Paris-Sorbonne e intercâmbios de longa duração, de 6 meses a um ano, com a Science Po Paris (campus de Paris, Dijon, Le Havre, Menton, Nancy, Poitiers e Reims), a Science Po Lille, a Paris-Dauphine, a Université Toulouse e a Paris-Sorbonne. Assim, o aluno pode optar por viver em alguma das melhores cidades para se fazer intercâmbio na França. Para quem ainda tem dúvidas sobre o destino da sua experiência internacional, selecionamos alguns motivos pelos quais você deve passar uma temporada no país:

A língua francesa

Estima-se que existem no mundo cerca de 220 milhões de falantes de francês. É uma língua bonita, rica e melodiosa – também chamada de “a linguagem do amor”. É o idioma oficial de muitas organizações internacionais, entre elas, a Organização das Nações Unidas (ONU), UNESCO, OTAN, Cruz Vermelha Internacional, e por isso, considerada uma das principais línguas para a diplomacia e o direito internacional. O francês também é o idioma das três cidades onde instituições da União Europeia estão sediadas: Estrasburgo, Bruxelas e Luxemburgo. Como idioma latino (assim como o português, espanhol, italiano e romeno), o francês é considerado uma língua fácil de aprender quando dedicação de tempo de estudo é combinada com exposição prática intensa, tanto para quem busca apenas uma comunicação eficiente quanto para quem quer fluência e domínio na hora de ler e escrever. 

O Diferencial 

A França é uma das maiores economias do mundo, reúne grandes investidores e hospeda visitantes do mundo inteiro. Um curso de francês é uma ótima oportunidade para fazer novos contatos e aprender uma língua considerada diferencial. Além de indispensável para quem quiser trabalhar em organizações internacionais, o francês também pode ser um diferencial em profissões que exigem mais do que o inglês e em oportunidades em países francófonos como Canadá, Bélgica, Luxemburgo, Suíça e diversos países asiáticos e africanos.

Acesso privilegiado à cultura

Um intercâmbio na França permite exposição à culinária, moda, teatro, artes visuais, dança, arquitetura, literatura, cinema e música franceses. Além disso, o país tem paisagens de tirar o fôlego, desde as águas azuis da costa francesa, como Marseille e Nice, até os campos da Provence. As cidades históricas já foram cenário de grandes obras do cinema e vale lembrar que o francês é a língua original de inúmeros trabalhos de fôlego deixados por intelectuais como Victor Hugo, Molière e Jean-Paul Sartre e a primeira língua de grandes nomes da cultura contemporânea como Daft Punk, Marion Cotillard e Stromae.

Oportunidades nas grandes universidades

A França tem muitas universidades classificadas entre as melhores instituições da Europa e do mundo inteiro nas áreas de direito, ciências políticas, negócios, engenharia, arte, design e ainda as maiores escolas de culinária. Com domínio do idioma, aumentam-se as chances de conseguir bolsas de estudo com o governo francês, especialmente para pós-graduação, mestrado e doutorado.

Se ainda está indeciso sobre estudar na França, temos o relato de uma aluna que passou um semestre na Paris Daphine para acabar com todas as suas dúvidas. 

Luisa Whitaker - Paris Dauphine

Eu tive uma sorte incrível por ter conseguido a vaga na Paris Dauphine. Primeiro porque a faculdade fica em Paris, uma cidade sensacional. Segundo porque eu já tinha alguns conhecidos que viviam em cidades próximas e que me deram grande apoio. A própria faculdade me auxiliou em conseguir uma residência estudantil, e a conta bancária e a conta de celular eu fiz com um amigo francês que me acompanhou ao banco e encomendou meu chip (as contas devem ser criadas pelo site da empresa que envia o chip para a sua casa em menos de uma semana; a minha empresa foi a FREE e gostei muito do serviço deles). A maioria de meus amigos intercambistas morava em residências estudantis, pois a faculdade tinha um tipo de convênio com a empresa CROUS, que aluga os quartos. Conheci algumas pessoas que moravam em apartamentos sozinhas ou dividiam com alguém (outro aluno ou alugando de uma senhora francesa). Mas definitivamente minha residência era a melhor opção: a construção era nova, ficava muito perto da faculdade (o tempo de andar e ir de metro era praticamente o mesmo: 25min.; de ônibus ou bicicleta demorava um pouco menos: 10min) e o preço foi muito bom para 16m² em Paris, com banheiro e cozinha individual.

Em Paris há um sistema similar ao das nossas "laranjinhas". Lá as bicicletas que você pega na rua chamam-se velib'. Há um desconto para estudantes e, francamente, eu acho que vale a pena e recomendaria como meio de transporte a qualquer aluno. Eu não fiz o pacote por que cheguei no inverno e não conseguia me imaginar subindo numa bike para ir para a faculdade, mas uma amiga minha tinha e sempre que ela viajava me emprestava o cartão (o aplicativo lá só serve para ver as estações, você libera a bicicleta apenas com um cartão magnético). Especialmente em maio, quando minha amiga ficou 4 semanas fora viajando e a primavera foi chegando, eu usei a velib' quase todos os dias. Era delicioso andar por qualquer parte da cidade, apesar das ciclovias não serem tão bem distribuídas e o calçamento em alguns lugares ser bem ruim (quando eu digo bem ruim é como o calcamento de pedras portuguesas com alguns pedaços de asfalto descascado fazendo o papel de ciclovia). Várias viagens de bike são mais rápidas do que pegar o ônibus (o intervalo entre eles é muito grande) ou mesmo o metro (você pode estar longe de uma estação ou precisar fazer muitas baldeações).

A segurança foi outro ponto alto de morar na França. Lá a segurança é realmente muito boa, apenas na parte norte da cidade me senti um pouco mal, mas o restante era super tranquilo de andar e circular livremente, inclusive mexendo no celular na rua. Apenas no metrô e em lugares turísticos precisa-se tomar muito cuidado com pickpockets. Eu não tive problema com eles, mas algumas pessoas tiveram sua carteira ou o celular furtado no metrô. Eles se posicionam perto da porta e, logo antes dela fechar, podem tentar arrancar sua bolsa ou celular. Mas nada com violência.  Por outro lado, voltei para casa várias vezes sozinha, inclusive de madrugada, e com as ruas desertas, a pé ou de bicicleta e mexendo no celular e com cordão, coisas que em cinco minutos vão embora se fizesse o mesmo em plena a luz do dia no centro do Rio de Janeiro. Os fatores segurança e tranquilidade, então, são um ponto forte.

Château de VersaillesJardin du LuxembourgSacré-Coeur ParisRoland Garros

Mais sobre o transporte: há um cartão (imaginaire) para estudantes usarem os transportes públicos de Paris, o que inclui metrô, ônibus e trem. Ele custa a metade do preço da sua alternativa, o navigo, um cartão para pessoas sem desconto que dá acesso aos mesmos transportes públicos (o valor é pago por período de tempo nos cartões, para viagens individuais compra-se o bilhete). Eu não consegui fazer o imaginaire por que é uma burocracia bem chata e demorada. Além disso, eu só descobri sua existência no segundo mês de intercâmbio e muitas das informações não são claras e não há ninguém para explicar muito sobre isso (os atendentes do metrô te mandam ver o site e as informações são bem confusas). Então, eu indico à quem for a Paris e queira usufruir desse benefício (o imaginaire é menos da metade do preço do navigo) que olhe antes no site da RATP (empresa que administra os transportes em Paris) para se informar melhor já antes da chegada e preencher os documentos para solicitação do cartão, que pode ainda demorar algumas semanas para chegar na sua casa.

Quanto à alimentação, a faculdade tinha um restaurante do CROUS que para quem quer economizar é uma opção excelente (você come por €3,20). Tem pizza, hambúrguer e comida mesmo, para os que preferem. Uma vez cheguei a comer carneiro, mas em geral a comida é bem simples e se repete bastante, de forma que é possível até acabar enjoando. Não havia cardápio para alérgicos (minha amiga celíaca comia todos os dias o hambúrguer, sem pão, com batata frita, pois só esse era garantido que não tinha sido contaminado). Mas é claro que, estando em Paris, não faltam boulangeries, fromageries e pâtisseries para conhecer.

A faculdade também tinha uma academia, com aparelhos de musculação, cinco esteiras, um simulador de escada e quatro bicicletas, todas as aulas eram abertas aos estudantes (boxe, ioga e dança eram algumas opções). Tinham também equipes de esportes como golfe e futebol, mas para esses é preciso se inscrever bem no início do semestre. Infelizmente, ela confirmou aquela tese de que os franceses não tomam banho: várias vezes eu passava no banheiro após as aulas e via várias meninas suadas que haviam saído das aulas passando desodorante e vestindo suas roupas sociais.

Dauphine é muito mais reconhecida pelos seus cursos de bussiness e não pelo curso de direito. Pelo que eu pude ver essa falta de fama e reconhecimento do curso de direito tem uma razão: as aulas que eu cursei de direito internacional (leia-se direito anglo-saxão e direito comparado) foram bem ruins. Por outro lado, aulas de direito da competição e marketing foram bem melhores, mas nada desafiador; mas foi bom, pois no intercâmbio eu queria focar mais a vida pessoal e cultural do que a acadêmica. O mais legal era que a universidade oferecia cursos de francês para os intercambistas poderem melhorar seu francês com ajuda de professores. Eu gostei muito dos meus FLEE courses. Todos eles eram sobre cultura francesa e eu fiz um curso de literatura e outro de imprensa. Os trabalhos eram interessantes, as turmas eram bem niveladas e pequenas, o que permitia que o professor pudesse dar atenção especial para todos.

Univesité Paris DauphineDegustação de queijos

Eu recebi na segunda semana de faculdade uma carteirinha de estudante. Com ela, era permitido que eu entrasse em diversos museus de graça, muitos deles tinham descontos. Na cadeia Monuments Nacionaux, que cuida da Notre Dame, do Phanteon e do Arco do Triunfo, os estudantes europeus entram de graça. Numa revista mensal, vendida na banca de jornal por menos de um euro, você pode encontrar toda a programação cultural, dentre shows, museus e cinema em Paris.

Além disso, a França é bem central na Europa e tem vários vôos e trens saindo da capital para diversos países europeus. Eu viajei bastante, especialmente através de passagens aéreas de baixo custo. É importante tomar cuidado com o aeroporto pelo qual o vôo que se comprou sai ou chega. Quando fui para Estocolmo (Suécia) consegui uma passagem barata, de €55,00, mas apenas a ida de ônibus para o aeroporto de Paris foi €32,00 e lá em Estocolmo mais €30,00 para chegar ao centro da cidade a partir do aeroporto de destino. No final, paguei mais e fiquei mais tempo no ônibus do que no avião. Vale muito a pena se planejar com base no seu calendário de aulas e se planejar em relação aos dias que você vai querer viajar, pesquisar em sites como o Skyscanner vôos mais baratos e olhar acomodação com antecedência. Várias vezes escolhi meu destino baseada na lista dos vôos que estavam em promoção e no meu tempo disponível, finais de semana e feriados. É engraçado como na semana seguinte o preço pode multiplicar e aumentar em seis ou sete vezes!

Principais dicas para se preparar:

  • A burocracia do passaporte é chata e demorada, melhor adiantar isso o mais rápido possível.
  • A moradia da faculdade é legal, mas se você não conseguir entrar (precisa ser rápido para responder os e-mails, eles chamam por ordem de resposta) há vários grupos no Facebook oferecendo lugares. É importante ficar perto de alguma estação de metro que tenha uma linha direta para a sua faculdade. Apesar de a rede de Paris ser muito capilarizada, pode-se demorar facilmente mais de uma hora para atravessar metade da cidade. Então procure algo perto da faculdade para não precisar perder muito tempo de deslocamento diário.
  • Transporte: o cartão imaginaire e, se gostar de andar de bicicleta, o da velib também, que para valerem a pena devem ser feitos no início do semestre (pacotes de mais meses tem descontos maiores).
  • Quando chegar à universidade se inscreva no DEE, é a organização de estudantes da faculdade ligada ao ERASMUS que faz vários programas legais. Eles fizeram passeios por áreas de Paris e alunos franceses participam como guias turísticos, contando histórias e curiosidades. Eles organizaram uma viagem sensacional para Bruxelas, que foi bem barata e promoveram aulas de degustação de queijos e vinhos para os intercambistas. Isso sem falar das festas (organizadas pelo menos uma vez por semana) e dos bares (organizados todas as 5as feiras).
  • A inscrição nas matérias é feita do Brasil, então é legal, para aproveitar suas horas sem problemas, conversar antes com a coordenação para saber de antemão o que você vai poder fazer para conseguir horas suficientes para não atrasar a formatura (se esse for o objetivo), com base na conversão de ECTS para ATCEs.