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02/10/2014

'A China está fazendo seu papel. Nós temos que fazer o nosso'

O interesse sobre quem será o novo presidente do Brasil vai além das fronteiras e desperta atenção até mesmo na China.

O interesse sobre quem será o novo presidente do Brasil vai além das fronteiras e desperta atenção até mesmo na China. O Center for BRICS Studies da Universidade Fudan organizou, no último dia 25 de setembro, o evento “Eleições Presidenciais no Brasil". O professor da FGV DIREITO RIO, Evandro Menezes de Carvalho foi o palestrante e o diretor do Asia Latin America Group (ALA), o advogado brasileiro Rodrigo do Val Ferreira, foi o convidado para fazer comentários.

Evandro apresentou para os professores e estudantes chineses a estrutura do sistema eleitoral brasileiro e o cenário político desta eleição, tendo em conta os principais candidatos, suas plataformas e biografia. O professor trouxe também discussões sobre a democracia brasileira, pontos fortes e debilidades.

“A China acompanha as eleições com interesse. A compreensão do governo chinês sobre o funcionamento da nossa democracia e sobre a complexidade do nosso sistema multipartidário não é acurada”, explicou.  

O principal interesse chinês nas eleições brasileiras, porém, é sobre os rumos da política externa.  O governo do país teme que o próximo presidente dê ritmo lento à participação brasileira nos BRICS. Evandro apresentou uma avaliação comparada das políticas externas do PT e do PSDB e fez uma análise do programa de governo de Marina Silva.

“No quesito política externa do governo Dilma Rousseff, a relação bilateral está muito aquém das expectativas que uma Parceria Estratégica Global poderia engendrar. O problema não está só do lado brasileiro, é certo. No contexto dos BRICS, a decisão de se criar um Novo Banco de Desenvolvimento foi o fato mais relevante em que os dois países cumpriram papel importante. Avaliando o Programa de governo da Marina e os discursos do candidato do PSDB, Aécio Neves, o tema 'China' não é visto sob uma perspectiva estratégica mesmo sendo a segunda maior economia do mundo”, criticou.

Evandro mencionou ainda o fato de que, quando a China aparece no radar dos candidatos, ela é vista mais como ameaça aos interesses comerciais e industriais brasileiros do que como uma via de oportunidades. Segundo o professor, o conhecimento brasileiro sobre China não está atualizado para o mundo e os desafios do futuro.

“A China tem consciência de que precisa ampliar seu ‘soft power’ no Brasil no sentido de fazer os brasileiros compreenderem melhor a China contemporânea e, assim, serem mais receptivos a um diálogo. Além disso, está atenta aos seus interesses no Brasil que é um importante fornecedor de recursos naturais estratégicos e receptor de investimentos chineses. O grau de influência dos EUA sobre o Brasil também é uma das preocupações subjacentes do governo chinês. A China está fazendo o seu papel. Nós temos que fazer o nosso”, concluiu.

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19 / 2018.

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