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03/09/2014

Pesquisadores do CTS participam do Internet Governance Forum

Os pesquisadores Marília Maciel, gestora do Centro de Tecnologia e Sociedade, e Nicolo Zingales, bolsista do programa Fellows in Rio da FGV DIREITO RIO, participam da nona reunião do Internet Governance Forum (IGF), realizada em Istambul,

Os pesquisadores Marília Maciel, gestora do Centro de Tecnologia e Sociedade, e Nicolo Zingales, bolsista do programa Fellows in Rio da FGV DIREITO RIO, participam da nona reunião do Internet Governance Forum (IGF), realizada em Istambul, Turquia, de 2 a 5 de setembro. O tema deste ano é “Conectando continentes para aprimorar a governança multissetorial da Internet”.  De acordo com o parágrafo 72 da Agenda de Tunis, a missão do IGF é discutir políticas públicas relacionadas aos elementos-chave da governança da Internet a fim de fomentar a sustentabilidade, a segurança, a estabilidade e o desenvolvimento da rede, incentivando o engajamento dos stakeholders e a participação dos usuários diários.

O encontro pretende avançar as discussões do NETmundial, realizado em 23 e 24 de abril, na cidade de São Paulo. Marília Maciel, que participou ativamente do processo de organização do evento e representou a sociedade civil nos debates, analisará seus resultados como palestrante convidada no pré-evento NETmundial: olhando para trás, aprendendo lições e mapeando o caminho a frente” em duas mesas: Modelo multissetorial do NETmundial: organizando o encontro, reunindo contribuições, configurando a participação e construindo a agenda” e Alcançando resultados democráticos e multissetoriais em discussões globais sobre políticas de governança da Internet: extraindo lições do NETmundial”, uma apresentação dos resultados da pesquisa desenvolvida pelo CTS/FGV junto à Association for Progressive Communication (APC) e à DiploFoundation.

Na sessão Setting the Scene, Marília falará sobre os recursos críticos de Internet, um dos subtemas do IGF 2014. Além disso, será painelista nos workshops: “Internet Governance: challenges issues and roles”, “Perspectives on Internet Governance Research and Scholarship” (organizado pela Network of Centers – NoC), “Enhancing Digital Trust in the post-Snowden Era” (organizado pelo Centre for International Governance Innovation – CIGI) e “Future IG Architecture”.

Nicolo Zingales, doutor em Direito pela Universidade Bocconi (Itália), participa de workshops relacionados à responsabilidade de intermediários ("An evidence-based intermediary liability policy framework", "Network Neutrality: A Roadmap for Infrastructure Enhancement" e "Promoting Platform Responsibility for Online Content Management") e da reunião da Coalizão Dinâmica sobre Responsabilidade de Plataformas. Fundada em 2014 por Nicolo e dois colegas, a Coalizão Dinâmica é um esforço para levar o debate sobre direitos humanos para o contexto das plataformas online (redes sociais, blogs, agregadores de conteúdo, entre outras), as quais se apoiam em seus termos de serviço para criarem sistemas privados de governança e enforcement cada vez mais automatizado. Embora a responsabilidade por violações aos direitos humanos somente possa ser imposta aos Estados, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recentemente adotou o guia "Guiding Principles on Business and Human Rights", apoiando parâmetros para “Proteger, Respeitar e Reparar”, pelos quais as empresas privadas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e de oferecer, junto aos Estados, reparações efetivas por sua violação.

Por essa razão, a Coalizão Dinâmica pretende estimular uma discussão multissetorial a fim de definir melhores práticas sobre o cumprimento aos direitos à privacidade, liberdade de expressão e devido processo legal pelas plataformas. Logo, o conceito da responsabilidade de plataformas vai além da ideia de responsabilidade de intermediários, a qual se baseia no modo como a elaboração e a interpretação das leis aplicáveis ao ciberespaço criam obrigações positivas sobre essas plataformas que atuam como agentes intermediários de transações entre usuários. No entanto, os dois estão inevitavelmente relacionados, já que a existência de obrigações legais exequíveis para a proteção de certos direitos (por exemplo, propriedade intelectual ou privacidade) pode gerar incentivos adversos à proteção dos direitos humanos de outros usuários. Mais informações sobre princípios, afiliação e roadmap da Coalizão Dinâmica sobre Responsabilidade de Plataformas podem ser encontrados no site da organização (www.platformresponsibility.info).

Sobre o Internet Governance Forum

Em 2006, atendendo a uma demanda apresentada pela Cúpula Mundial sobre Sociedade da Informação da ONU (UN World Summit on the Information Society – WSIS), o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, criou o IGF com o objetivo de ser um espaço de debate democrático e transparente sobre governança da Internet, do qual fazem parte governos, sociedade civil organizada, comunidade técnica, setor privado e academia. O Fórum se reúne anualmente para discutir e aprofundar alguns temas de interesse. Alguns países – como a Rússia, por exemplo – criticaram essa separação no passado, propondo uma integração entre o IGF e o evento high-level da WSIS, organizado todos os anos pela International Telecommunication Union (ITU). O IGF 2015 acontecerá na cidade do Rio de Janeiro.

Durante os quatro dias de encontro, serão discutidos amplamente diversos assuntos em mais de 100 sessões, divididos em subtemas como: políticas públicas que permitam o acesso; criação, disseminação e uso de conteúdo; a Internet como uma ferramenta de crescimento e desenvolvimento; Internet e Direitos Humanos; entre outros. Os interessados podem conferir a programação completa e saber como participar remotamente seguindo as instruções no site do evento.

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19 / 2018.

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