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28/05/2018

População em situação de rua é tema de debate na FGV Direito Rio

Na última semana, a FGV Direito Rio lançou o 9º volume da Série Clínicas – Cadernos FGV Direito Rio, intitulado "População em situação de rua: direitos humanos, políticas públicas e programas de housing first".

Na última semana, a FGV Direito Rio lançou o 9º volume da Série Clínicas – Cadernos FGV Direito Rio, intitulado "População em situação de rua: direitos humanos, políticas públicas e programas de housing first". O trabalho traz dois pareceres solicitados pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudedh) sobre o população em situação de rua.  O evento foi marcado por debate com a participação do Coordenador do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da FGV Direito Rio, André Mendes, a Supervisora da Clínica do NPJ, Rafaela Moreira, o Defensor Público e Coordenador do Nudedh, Fábio Amado, e o Coordenador de Housing First do Projeto Ruas, Breno Gouvêa.

Explicando como o trabalho foi feito, Rafaela Moreira falou sobre a realização de um estudo comparativo entre algumas cidades brasileiras e também um estudo comparativo internacional, a partir de um levantamento de dados e de políticas públicas em cada um desses lugares. O levantamento identificou diferenças entre as cidades.

“Percebemos que o perfil da população em situação de rua é diferente em cada lugar e, por isso, não é possível tratar da mesma forma causalidades diferentes. O que temos hoje é uma fábrica institucionalizada do acolhimento que pretende criar uma formula igual para todo mundo, só que pessoas que estão na rua vêm para essa situação por motivos diferentes e estão em situações diferentes. Hoje, a grande discussão no mundo sobre acolhimento e vulnerabilidade é partir da centralidade do indivíduo e é isso que o housing first faz”, explica.

Já o Defensor Público Fábio Amado falou sobre a importância de debater o tema e da mudança de políticas públicas que hoje funcionam mais como recolhimento do que como acolhimento. “Essa mudança de paradigma passa por uma visão diferenciada do que é essencial e do que é financeiramente vantajoso e, sobretudo, do que é eficiente, porque durante décadas a política de abrigamento tem sido absolutamente ineficiente”, analisa.

Concluindo a rodada de falas, Breno Gouvêa, explicou que o housing first é baseado em três pontos principais: autonomia, colocando o participante no centro do processo ao tomar suas próprias decisões; permitir que a pessoa consiga dar os seus próximos passos quando se sentirem prontas para tal e, para isso, é preciso que o governo tenha as suas portas abertas; e pensar em políticas intersetoriais, e isso inclui esporte e cultura.

Breno explica ainda que o housing first parte do princípio de que a casa é o ponto de partida para a recepção social. “Ele coloca a pessoa na casa e oferece uma série de serviços de apoio como educação financeira, conexão a cursos, educação e emprego, por exemplo, se assim ele desejar. Tem muito a ver com a questão de ter portas abertas para aquilo que ele quiser”, esclarece.

Contudo, o coordenador do Projeto Ruas ressalta que é preciso pensar a longo prazo: “A pressa é inimiga”. E salientou que a primeira vantagem que se pensa ao falar em uma iniciativa como o housing first é a financeira. “Nesse sentido, todos os estudos dos EUA e da Europa mostram que o housing first reduz gastos em áreas como saúde pública e segurança, por exemplo”, elucida.  

Para o professor André Mendes, o evento de lançamento da publicação e o debate realizado expressam o papel relevante desempenhado pelo Núcleo de Prática Jurídica. “Muitos alunos e alunas (53) participaram desse trabalho, que foi liderado com talento pela professora Rafaela. Promovemos a aproximação entre atores sociais importantes que pretendem a mesma coisa: buscar alternativas para população em situação de rua, com foco no housing first (‘habitação primeiro”). Certamente um impacto positivo gerado pelo NPJ da FGV Direito Rio”, avalia o professor.

Clique aqui para acessar o volume 9 da Série Clínicas – "População em situação de rua: direitos humanos, políticas públicas e programas de housing first".

Clique aqui para conhecer as outras publicações do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da FGV Direito Rio.

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19 / 2018.

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