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06/08/2015

Professora analisa migração recorde de refugiados para Europa

Um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou que mais de 224 mil imigrantes chegaram à Europa pelo Mar Mediterrâneo somente em 2015.

Um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou que mais de 224 mil imigrantes chegaram à Europa pelo Mar Mediterrâneo somente em 2015. Segundo a ONU, o número crescente de pessoas que tentam a travessia marítima são refugiados oriundos da Síria, África subsaariana, locais onde ocorrem guerras civis e Bangladesh, alvo de catástrofes naturais. Professora de Direito Internacional da FGV Direito Rio, Paula Wojcikiewicz Almeida, analisa a situação.

“Desde a Primavera Árabe, iniciada em 2010, imigrantes africanos, em especial da Líbia, têm buscado refúgio no continente europeu. Eles buscam asilo político na União Europeia e isso começa a assustar os países do bloco por conta da quantidade de refugiados”, explica.

De acordo com o relatório, as principais portas de entrada na Europa são a Grécia (124 mil) e a Itália (98 mil). Paula explica que a escolha por esses países se dá pela proximidade geográfica e que cabe a esses países conceder ou não o asilo. Como ambas as nações são membros da União Europeia e signatárias do acordo Schengen, que permite livre circulação pelos Estados membros, uma vez concedido o asilo, esses refugiados não teriam obstáculos para transitar em grande parte do continente.

Segundo a professora, as nações que recebem os refugiados não podem simplesmente devolvê-los a seus países de origem por conta do princípio de non refoulement. Instituído pela Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, de 1951, a medida prevê que “nenhum país deve expulsar ou ’devolver’ (refouler) um refugiado, contra a vontade do mesmo, em quaisquer ocasiões, para um território onde ele ou ela sofra perseguição”.

“A onda mais recente é de imigrantes Sírios, são refugiados de guerra. Mais óbvio que tentar impedir a entrada deles na Europa é tentar atacar as bases do fenômeno migratório, porque as pessoas vão continuar fugindo de situações de guerra”, conclui.

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19 / 2018.

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