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19/11/2018

Saiba como foi a mesa sobre “Gênero, ‘Raça’ e Migração”no I Congresso Internacional de Direito e Gênero

O I Congresso Internacional de Direito e Gênero da FGV Direito Rio, que foi realizado em dois dias, contou com um painel sobre “Gênero, ‘Raça’e Migração”.

O I Congresso Internacional de Direito e Gênero da FGV Direito Rio, que foi realizado em dois dias, contou com um painel sobre “Gênero, ‘Raça’e Migração”. Fizeram parte da mesa, Vanessa Berner (UFRJ), Florian Hoffman (PUC-Rio), Adriana Cruz (Juíza Federal), Thula Pires (PUC-Rio) e Ynaê Lopes dos Santos (CPDOC), como moderadora.

A Juíza Federal, Adriana Cruz, abriu a discussão com a apresentação de três conceitos fundamentais para a discussão. O primeiro deles é a interseccionalidade, que busca jogar luz sobre o lugar que um indivíduo vai ocupar no mundo a partir de todos espaços que ele está inserido ou envolvido. O segundo é o de racismo estrutural, que dá o norte de como as relações realmente são estabelecidas. Já o racismo institucional, é justamente a reprodução dessa lógica e dessa dinâmica dentro das instituições. Segundo ela, a partir dessa leitura sobre o racismo institucional é possível entender porque o Direito não consegue dar resposta à situação de vulnerabilidade que os indivíduos oprimidos se encontram.

Sobre o encarceramento feminino – crescente no Brasil –, Thula Pires (PUC-Rio) falou sobre como o sistema de justiça criminal se apoia na vulnerabilização e exploração de mulheres em todos os níveis de sua intervenção. A pesquisadora apresentou, ainda, conceitos como o pretuguês (africanização do português falado no Brasil e um confronto ao racismo epistêmico), amefricanidade (influência da cultura ameríndia e africana), branquitude (lugar de privilégio ocupado por pessoas brancas e que definem a sociedade) e o pacto narcísico (união entre os brancos para manter os seus privilégios).

Complementando as duas falas anteriores, a moderadora Ynaê Lopes dos Santos (CPDOC) relembrou momentos da história brasileira que, para ela, demonstram como o racismo e o encarceramento da população negra não é resultado de um acaso, mas sim fruto de um projeto de Estado. A historiadora citou a 1ª Constituição brasileira de 1824, passou pelo Segundo Reinado e chegou até a Proclamação da República para evidenciar como a raça foi e é operada durante o processo de construção do Estado Nacional. Segundo ela, o racismo no Brasil possui um caráter estruturante e de escolha política.  

Já sobre migração, Vanessa Berner (UFRJ) falou sobre a invisibilidade de gênero nos movimentos de migração e listou caminhos para lidar com a questão. Para ela, é preciso uma análise com base nos resultados desagregados por sexo para dar visibilidade às diversas realidades. Além disso, ela citou a importância de que estudiosas feministas compreendam e interpretem as causas da migração de mulheres e reforçou a impossibilidade de separar raça e gênero nessa análise.

Florian Hoffman (PUC-Rio) trouxe para o debate os desafios da interseccionalidade entre migração, gênero, raça e classe. Segundo ele, a migração e o refúgio fazem com que as pessoas sejam reduzidas a uma única categoria, o que pode ser bastante traumático. Em sua análise, o Direito lida com essa temática da mesma forma que a sociedade: aplicando uma visão redutiva da realidade das pessoas. O docente explica que, se por um lado isso facilita o foco na assistência aos grupos mais vulneráveis, por outro reforça reclassificações que, muitas vezes, produzem associeações negativas. 

As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19 / 2018.

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