Nesta quarta-feira, dia 07/11, a FGV Direito Rio recebeu o professor Xie Chuntao, da Escola do Comitê Central do Partido Comunista Chinês para uma palestra sobre o futuro da China no governo Xi Jinping. O evento foi organizado pelo Núcleo de Estudos Brasil-China da FGV Direito Rio, em parceria com o Consulado Geral da China no Rio de Janeiro e com apoio do Conselho Empresarial Brasil-China.
Confira abaixo os highlights da fala do professor Xie Chuntao na FGV Direito Rio:
Estados Unidos
Atualmente a China vive uma Guerra Comercial iniciada pelos Estados Unidos. Para o professor, se um conflito como esse ocorresse há 10 anos o posicionamento chinês seria outro. Isso porque o país dependia em 70% da exportação. Contudo, se a China perdesse o mercado norte-americano hoje, sua economia não quebraria. Sobre a solução desse conflito, Xie Chuntao é otimista e diz acreditar em um rápido desfecho, com benefícios para ambos os lados.
PIB
No terceiro trimestre de 2018, o PIB chinês cresceu em 6,8% - pior resultado trimestral em 9 anos. Apesar da queda, o valor é alto em comparação com as demais economias globais. Xie Chuntao avalia que o bom desempenho do Produto Interno Bruto do país está diretamente relacionado ao surgimento de novas empresas, aumentando a competitividade e o potencial do país.
Um diferencial chinês
Para o professor, a estabilidade política da China deve-se a 70 anos de liderança do Partido Comunista Chinês e a forma como o sistema político se organiza possibilitando a celeridade na discussão e tomada de decisão sobre as grandes políticas do país. Em uma comparação, Xie Chuntao analisa que a Grã-Bretanha, por exemplo, não teria condições de adotar um sistema no qual grandes políticas fossem discutidas e implantadas com a mesma rapidez, pois a cada quatro anos há uma mudança política ocasionada pelas eleições. Isso dá aos chineses uma grande vantagem: a de ser possível fazer projeções a longo prazo que sejam seguras e precisas.
Judiciário
Xie Chuntao entende que a confiança da população com relação ao Judiciário vem crescendo no país. O que acontece é que as leis chinesas possuem muitas brechas que, muitas vezes, levam a condenações errôneas. Essas leis estão sendo revisadas a fundo e algumas medidas estão sendo implementadas nos últimos anos a fim de reduzir e revisar erros de condenação. Dois exemplos são as compensações governamentais e a investigação de juízes envolvidos em erros de julgamento.
Políticas Públicas
Durante a sua fala o professor citou algumas políticas públicas que o governo adotou, tais como a elevação anual do salário mínimo – o que faz com que muitas empresas saiam do país em busca de mão-de-obra mais barata; plano de saúde nacional – que tem uma parte paga pelo governo e a outra pela população; políticas habitacionais com aluguel social a preços acessíveis; políticas de segurança pública que reduziu exponencialmente o índice de criminalidade do país; e plano de aposentadoria.
Desafios
Com um país extenso, populoso e diverso, a China vem enfrentando um grande problema de desigualdade social. De acordo com o professor, algumas regiões, principalmente do interior do país, não tiveram as condições necessárias para se desenvolver e, por isso, acabaram ficando para trás. Para ele, o governo de Xi Jinping entende a importância de se reduzir essa disparidade de renda para que a estabilidade social não seja ameaçada. Para isso, diversas medidas foram implantadas visando atender as necessidades básicas da população. Segundo Xie Chuntao, todos os anos, 10 milhões de pessoas saem da linha da pobreza no país.
Meio Ambiente
O meio ambiente é um desafio à parte. Durante o período de rápido crescimento chinês, ar, água e solo foram extremamente prejudicados. Por isso, o professor explica que diversas medidas de proteção ambiental foram tomadas e, como consequência, diversas empresas saíram do país. Para além disso, Xie Chuntao analisa que a agenda do meio ambiente é central para a maioria dos prefeitos que não conseguem ascensão política se não cumprirem as metas estabelecidas. O professor, contudo, não possui uma visão utópica da realidade e afirma que ainda falta um longo caminho a ser percorrido para uma China limpa e saudável.
Unificação
Os conflitos com Taiwan e Hong Kong também foram abordados no encontro. Para ele, as questões já teriam sido resolvidas caso não houvesse interferência internacional. Confiante em uma resolução diplomática, Xie Chuntao fala sobre avanços ocorridos, tais como a oferta de vagas em universidades chinesas para quem é de Taiwan e de Hong Kong, além da possibilidade de fixar residência no país.
O evento também contou com a participação do coordenador do Núcleo de Estudos Brasil-China da Escola, Professor Evandro Menezes de Carvalho; da professora do IBRE-FGV, Professora Lia Valls; da Vice-Consul da China no Rio de Janeiro, Chen Xiaoling; do Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Luiz Augusto de Castro Neves; e do Diretor da Diretoria Internacional da FGV, Professor Bianor Cavalcanti.